quinta-feira, 15 de Julho de 2010

Elementos de economia internacional

Os mercantilistas

A riqueza de uma nação mede-se pela quantidade de stock de metais preciosos. As nações devem exportar mais do que importar.

As vantagens absolutas de Adam Smith

O comércio entre duas nações é baseado nas vantagens absolutas.

O modelo de Ricardo das vantagens comparativas

Cada país beneficiará com a especialização na produção e exportação dos bens que pode produzir com um custo relativamente menor.

Custo de oportunidade: o custo de uma mercadoria representa a quantidade de uma segunda mercadoria, da qual se pode abrir mão para libertar os recursos suficientes para produzir uma unidade adicional da primeira mercadoria.

Hipóteses do modelo de Ricardo:

- Dois países produzindo dois bens recorrendo apenas a um factor produtivo, o trabalho.

- Mercado de concorrência perfeita

- Mobilidade perfeita dos produtos dentro dos países e entre países.

- Pleno emprego do factor trabalho

- Ausência de desenvolvimentos tecnológicos.

A fronteira de Possibilidades de Produção (FPP) de uma economia mostra as combinações máximas de produção de bens que uma economia consegue produzir, utilizando eficientemente os seus recursos, num dado momento (o nível tecnológico é considerado como fixo). Quando a economia utiliza todos os seus recursos, o custo de oportunidade é igual ao valor absoluto do declive da recta FPP.

Questões e limitações da teoria das vantagens comparativas:

- A teoria de Ricardo pressupõe o funcionamento contínuo de uma economia concorrencial. As ineficiências podem ocorrer na presença de preços e salários inflexíveis, de desemprego e de ciclos económicos, podendo uma economia estar a operar no interior da sua FPP.

- A abertura ao comércio internacional aumenta o rendimento de um país mas isso não é sinónimo de que todos os indivíduos, empresas e consumidores, beneficiem com a liberalização. A teoria das vantagens comparativas fala do conjunto dos países e não da possibilidade de desemprego sectorial.

- O modelo Ricardino defende a especialização produtiva completa dos países. Mas isso não acontece devido à existência de custos de transporte, proteccionismo e de mais de um factor produtivo.

MODELO: Factores Específicos e Distribuição de Rendimento

O modelo ricardino aponta, inequivocamente para que todos os países ganhem com o comércio internacional e, como o trabalho é o único factor produtivo e com completa liberdade de circulação dentro de cada país, cada agente económico sai beneficiado com a existência de comércio internacional, pois não há hipótese da distribuição do rendimento se alterar. Mas, efectivamente, sabemos que os benefícios com o comércio internacional são distribuídos de forma muito desigual dentro de cada país, havendo grupos dentro de cada país que podem ser prejudicados, pelo menos a curto prazo.

O modelo de factores específicos vai no sentido de considerar um factor não específico (que migra dentro de cada país) – o trabalho – e factores específicos que são utilizáveis apenas em alguns bens em particular. (Exemplos de factores específicos: Capital e Terra)

O conjunto de ganhos com o comércio internacional é assumido, no modelo de factores específicos, como mais limitado do que os do modelo das vantagens comparativas de Ricardo, havendo ganhos parciais (sectores exportadores) e perdas parciais (sectores competindo com as importações).

MODELO: Recursos e Comércio – O modelo de Heckschger-Ohlin-Samuelson (HOS)

O modelo HOS ou teoria das dotações factoriais prolonga a teoria ricardina, assumindo, pelo menos, dois factores produtivos. A especialização depende das dotações de factores produtivos dos países, a troca comercial traduz, sempre, ganhos de comércio e a abertura externa implica modificações na repartição do rendimento nacional.

Hipóteses do modelo HOS:

- dois países e dois bens

- dois factores de produção, trabalho e capital.

- uma tecnologia idêntica entre dois países para cada um dos bens.

- os factores produtivos são totalmente e eficientemente utilizados, não havendo quaisquer distorções decorrentes de direitos alfandegários, taxas, subvenções ou imperfeições da concorrência (concorrência pura e perfeita em todos os mercados)

A causa do comércio internacional reside, fundamentalmente, nas diferenças entre as dotações dos factores dos diversos países. Em particular, um país tem vantagem comparativa na produção do bem que usa mais intensivamente o factor mais abundante.

Modelo HOS VS Modelo Ricardino:

No modelo Ricardino há especialização total na produção do bem cujo preço é superior ao seu custo de oportunidade. Um pequeno país ganha mais do que um grande país no comércio internacional.

O modelo HOS foi criado como uma alternativa ao modelo Ricardino. Apesar do seu maior poder de previsão, ele tem, também, um objectivo politico: a eliminação da teoria do valor do trabalho e a incorporação do mecanismo neoclássico do preço na teoria do comércio internacional. A teoria defende que o padrão do comércio internacional é determinado pela diferença na disponibilidade de alguns factores naturais. Os países diferenciam-se unicamente devido às diferenças nas dotações de inputs.

Dotações factoriais (entre países): A abundância factorial relativa entre os dois países é definida como a relação entre o stock de capital e o trabalho dos dois países, num dado momento. Se o país A possui mais capital por trabalhador que o país B, diz-se que o país A é abundante em Capital. Em autarcia, o país A será relativamente mais abundante em Capital, o que implicará uma remuneração relativamente mais baixa deste factor.

Intensidade factorial (entre sectores): Os bens utilizam factores em proporções diferentes, o que motiva um país a canalizar os factores que tem em abundância para as produções de bens que precisam mais desses factores; ou seja, o país tende a especializar-se na produção do bem intensivo no factor relativamente abundante e mais barato.

A dimensão dos países é indiferente neste modelo, só as dotações relativas dos factores dos países e as intensidades factoriais dos bens determina a estrutura das vantagens comparativas.

O modelo H-O em Economia Aberta: Em autarcia, o preço relativo do bem X é mais baixo no país A do que em B. O primeiro efeito da abertura ao exterior vai ser a reorientação da procura de cada um dos países em função do diferencial dos preços. Os consumidores do país B terão interesse em adquirir uma parte do seu consumo do bem X no país A e o pais A terá interesse na importação de uma parte do consumo de Y no pais B. Enquanto os preços relativos dos bens for diferente entre os países, os consumidores continuarão a substituir o consumo dos bens preferindo adquiri-los no pais mais barato. Os produtores vão responder a esta alteração da procura, produzindo uma maior quantidade do bem X no país A (e uma menor quantidade do bem Y no país A) e uma maior quantidade do bem Y no país B (e uma menor quantidade do bem X no país B).

Abertura ao comércio: o teorema de HO: Sob as hipóteses enunciadas no modelo, um país exporta o bem incorporando intensamente o factor em que é relativamente abundante.

Quais são as consequências da abertura ao exterior? A abertura resulta de uma igualização dos preços relativos dos bens; em geral, existindo substituibilidade dos factores produtivos, os dois países continuam a produzir ambos os bens em comércio internacional (ao contrário do modelo ricardino); os dois países situam-se em curvas de indiferença exteriores às suas FPP, o que significa que ambos os países ganham com o comércio internacional.

Uma das premissas do modelo é que os dois países distinguem-se pela sua diferente dotação de factores. Exportando o bem X, capital intensivo, o país A, abundante em capital, exporta implicitamente serviços de factor capital e importa, implicitamente, serviços do factor trabalho. O comércio internacional permite a troca entre os excedentes de serviços de factores entre os países.

Consequências da abertura ao exterior sobre o preço dos factores produtivos (Teorema HOS): Dadas as condições do modelo, o comércio livre dos bens igualiza os rendimentos relativos dos factores produtivos entre os países através da igualização dos preços relativos dos bens. Esta igualização ocorre desde que ambos os países produzam os dois bens.

Limites do Teorema HOS

- Existência de custos de transporte: O comércio livre não igualiza o preço dos bens.

- Existência de barreiras alfandegárias e quotas à importação que levam à não igualização do preço dos bens.

- Imperfeição da concorrência e rigidez dos mercados dos factores produtivos.

- A premissa de que a tecnologia é igual em todos os países não é verdadeira.

Consequências da abertura ao exterior sobre o rendimento real dos factores produtivos: Teorema de Stolper-Samuelson:

- Um aumento do preço relativo do bem intensivo em capital, por exemplo leva a um aumento da remuneração relativa do capital.

- Um efeito de “ampliação”: o aumento do preço relativo do capital é superior ao aumento do preço relativo do bem intensivo em capital. Ou seja, mesmo quando as trocas se façam entre países semelhantes, os efeitos redistributivos podem ser importantes.

- Um aumento do preço relativo do bem capital intensivo leva a um aumento da remuneração real do capital e a uma baixa da remuneração relativa do trabalho.

Nas condições do modelo, um aumento do preço relativo de um bem aumenta o rendimento real do factor incorporado intensivamente na produção desse bem, e diminui o rendimento real do outro bem.

Consequências do aumento da oferta de um dos factores produtivos: Teorema de Rybczynski

Se o preço relativo dos bens é constante e os dois bens continuam a ser produzidos, o aumento da oferta de um factor produtivo leva ao aumento da produção do bem que incorpora intensivamente esse factor e à redução da produção do outro bem. Na hipótese de que os preços relativos não são constantes, é possível que a degradação dos termos de troca, no decorrer de uma oferta acrescida de exportações, leve a um crescimento dito “empobrecedor”.

1 comentário:

  1. Caros colegas,

    Haverá possibilidade de colocar o enunciado da época normal e de recurso, referente ao exame de Elementos de Economia Internacional? Já procurei no PAOL e.....nada....
    Obrigada.

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